quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O púlpito em ruínas – parte 2

Por Silas Alves Figueira

O maior perigo que a igreja corre hoje não é a perseguição, e sim a perversão. Se Satanás não pode derrotar a igreja, tenta ingressar-se nela. A proposta de Satanás não é substituição, mas mistura. Não é apostasia aberta, mas ecumenismo. A ameaça mortal vem de dentro, das chamadas heresias domésticas.

Durante muito tempo lutamos contra as Testemunhas de Jeová, contra os Mórmons, contra os Adventistas, mas hoje estamos nos deixando seduzir pelo evangelho da prosperidade, pelo pensamento positivo, pelo determinismo. Doutrinas orientais têm invadido as nossas igrejas de forma caudalosa; psicologia ao invés do Evangelho transformador está tomando os púlpitos de nossas igrejas. Líderes que estão na mídia distorcendo as Escrituras com uma teologia louca, levando os incautos a se decepcionarem com Deus, pois eles, em nome de Deus, fazem promessas que distorcem o puro Evangelho.

Algum tempo atrás havia um determinado pastor pregando na televisão dizendo que qualquer líder ou igreja que prega que o crente tem que ficar rico é um enganador. Ele disse assim: “não pense que todo mundo vai ficar rico não, isso é balela, é cascata; qualquer pastor que promete riqueza a todo mundo é um cara de pau safado, um pilantra, ludibriador de fé. Digo aqui rasgado mesmo porque não tem conversa. Quem te falou que todo mundo vai ficar bem financeiramente? Quem te falou que todo mundo vai ficar rico? Onde está isso na Bíblia?”

Meses depois, este mesmo pastor estava na televisão dizendo tudo ao contrário do que havia dito antes (parece até música do Raul Seixas). Ele disse meses depois assim: “você só vai experimentar estas coisas o dia em que você aprender a ser liberal, se não você só vai ouvir e nunca experimentar em sua vida. Agora, Deus tem falado ao meu coração e vou dizer pra vocês, e quero ser profeta de Deus para que algum irmão que está me vendo pela TV e que estão aqui; Deus tem falado ao meu coração, Deus nesta reta final da igreja, Ele quer dar riquezas para crente, mas não quer dar riqueza para miserável… Deus quer dar riquezas para crentes liberais que vão investir na obra de Deus…”. Depois esse pastor pega uma Bíblia de estudos que ensina como alcançar vitória financeira. Quanta contradição!

Essa é mais uma ruína em nossos púlpitos que já andam tão esfacelados, tão cheios de “cupins espirituais” destruindo a sua base. Com isso em mente, vamos enumerar mais alguns fatos que têm levado muitos púlpitos à ruína hoje:

Primeiro, há pastores gananciosos atrás do púlpito. Há pastores mais interessados no dinheiro das ovelhas do que na salvação delas. Há pastores que negociam o ministério, mercadejam a palavra e transformam a igreja em um negócio lucrativo. Há pastores que organizam igrejas como empresa particular, onde prevalece o nepotismo. Transformam o púlpito em balcão, o evangelho e os crentes em consumidores [1].

O Evangelho sofre atualmente grande desgaste no seio da sociedade por causa dos “mercenários”, homens que fazem do ministério fonte de enriquecimento, verdadeiro comércio.

A avareza pode levar o servo de Deus a destruir seu ministério, pois se transforma num sentimento maligno, capaz de apagar os mais nobres anseios do espírito (Pv 15.27; Ec 5.10; Jr 17.11; 1Tm 6.10; Tg 5.3). Eis, o que a avareza pode fazer:

–  Acã apanhou o que era ilícito, mesmo sabendo que se tornaria maldito (Js 7.21).

– Balaão foi capaz de dar perverso conselho para ter os prêmios de Balaque (Nm 31.15,16, 22.5, 23.8; 2Pe 2.15; Jd 11; Ap 2.14).
– Judas Iscariotes traiu o Mestre por causa de trinta moedas de prata (Mt 26.14-16).

O pastor, portanto, deve ter cuidado para não se deixar dominar pelo sentimento da avareza. Em busca de bom salário, pode sair do plano de  Deus, e seu ministério naufragar (Nm 16.15; 1Sm 12.4; At 20.33) [2].

Charles Haddon Spurgeon disse:

“Será que um homem que ama mais o seu Senhor estaria disposto a ver Jesus vestindo uma coroa de espinhos, enquanto ele mesmo almeja uma coroa de louros? Haveria Jesus de ascender ao trono por meio da cruz, enquanto nós esperamos ser conduzidos para lá nos ombros das multidões, em meio a aplausos? Não seja tão fútil em sua imaginação. Avalie o preço; e, se você não estiver disposto a carregar a cruz de Cristo, volte à sua fazenda ou a seu negócio e tire deles o máximo que puder, mas permita-me sussurrar em seus ouvidos: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”Citado por John MacArthur [3].

Segundo, há muitos pastores mundanos atrás do púlpito. A igreja contemporânea está passando por uma revolução sem precedentes, desde a Reforma Protestante, em seus estilos de adoração. O ministério das igrejas casou-se com a filosofia de marketing, e o “filhote monstruoso” dessa união é um diligente esforço para mudar a maneira como o mundo enxerga a igreja. O ministério da igreja está sendo completamente renovado, na tentativa de torná-lo mais atraente aos incrédulos.

Os especialistas nos dizem que pastores e líderes de igrejas que desejam ser mais bem-sucedidas precisam concentrar suas energias nesta nova direção. Forneça aos não-cristãos um ambiente inofensivo e agradável. Conceda-lhes liberdade, tolerância e anonimato. Seja sempre positivo e benevolente. Se for necessário pregar um sermão, torne-o breve e recreativo. Não pregue longa e enfaticamente. E, acima de tudo, que todos sejam entretidos. As igrejas que seguirem estas regras experimentarão crescimento numérico, eles nos afirmam; e as que as ignorarem estarão fadadas à estagnação [4].

Este tem sido, há muito tempo, os “cultos” que temos visto por aí. Mas quem se enquadra dentro desse sistema são pastores mundanos que deixaram o caminho da piedade para seguir o caminho do sucesso. Líderes que querem movimento e não vidas transformadas pelo poder do Evangelho. Pastores que utilizam do pragmatismo para ver resultados “positivos” na igreja.

Recentemente um carro de som estava passando pelos bairros da cidade que moro convidando os jovens para um baile funk, só que este baile era em uma igreja evangélica.

Terceiro, há muitos pastores mal intencionados atrás do púlpito. Há muitos pastores que distorcem a Palavra para que ela tenha o resultado esperado nos ouvidos dos ouvintes. Como disse A. W. Tozer: “Qualquer um consegue provar qualquer coisa juntando textos isolados” [5]. E o que mais temos visto são textos fora de contexto sempre com um mau pretexto. Pastores que botam na boca de Deus o que Deus não disse e tiram da boca de Deus o que ele disse. Como certo “apóstolo” que disse num culto: “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, mas o pior que ele disse que esta palavra está na Bíblia. Sinceramente eu não sabia que Antoine de Saint-Exupéry constava como profeta ou era um dos apóstolos de Cristo.

A igreja de hoje tornou-se indolente, mundana e acomodada. Os líderes da igreja estão obcecados com o estilo e metodologia; perderam o interesse pela glória de Deus e tornaram-se grosseiramente apáticos quanto à verdade e a sã doutrina.

Quando Deus promulgou o Segundo Mandamento, que proibia a idolatria, Ele acrescentou a seguinte advertência: “Eu Sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira geração daqueles que me aborrecem” (Êx 20.5). Outras passagens das Escrituras deixam claro que os filhos nunca são castigados diretamente pela culpa dos pecados de seus pais (Dt 24.16; Ez 18.19-32). Todavia, as consequências naturais daqueles pecados passam realmente de geração à geração. Os filhos aprendem com o exemplo dos pais e imitam o que veem. Os ensinos de determinada geração estabelecem um legado espiritual herdado pelas gerações seguintes. Se os “pais” de hoje abandonarem a verdade, a restauração demandará várias gerações. Os líderes da igreja são os principais responsáveis por estabelecerem o exemplo [6].

Pelo andar da carruagem, creio que a próxima geração, se Deus não intervir, estará perdida dentro das igrejas. Pois o que mais vemos são pastores mal intencionados distorcendo as Escrituras e, por sua vez, crentes que são verdadeiros analfabetos biblicamente falando. Gente que estão longe de seguir o exemplo dos irmãos de Bereia que consultavam as Escrituras diariamente para conferir o ensino de Paulo (At 17.11).

CONCLUSÃO

Que triste realidade a igreja tem enfrentado, mas cabe a cada um de nós, que queremos ver o Reino de Deus estabelecido, lutar com todas as forças para não sucumbirmos diante dessas demandas mundanas.
A luta não tem sido nada fácil, pois o mundo “gospel” tem lutado pera arrebanhar o maior número possível de pessoas e, infelizmente, tem conseguido. Com isso temos visto crentes fracos, mundanos, arrogantes, gente que pensa que são príncipes e princesas de Cristo, e com isso, acham que são melhores do que as outras. Não temos visto crentes a imagem e semelhança de Cristo, mas de seus líderes gananciosos, mundanos e mal intencionados. Gente que reflete a imagem de seus líderes carnais e satânicos.

Eu realmente não sei se vamos vencer está batalha, mas uma coisa eu peço a Deus, que Ele me ajude a continuar pregando a verdade ainda que esta seja pregada a poucos.

Que o Senhor nos ajude.

Pense nisso!

Fonte:
1 – Lopes, Hernandes Dias. De: Pastor A: Pastor. Editora Hagnos, São Paulo, SP, 2008: p. 17.
2 – Mendes, José Deneval. Teologia Pastoral. Editora CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 12ª Edição 2003: p. 39.
3 – MacArthur, John. Com Vergonha do Evangelho. Editora Fiel, São José dos Campos, SP, 2014: p. 17.
4 – Ibid, p. 45.
5 – Tozer, A. W. A Vida Crucificada. Editora Vida, São Paulo, SP, 2013: p. 20.
6 – MacArthur, John. Guerra pela verdade. Editora Fiel, São José dos Campos, SP, 2014: p. 18.


Fonte: www.napec.org

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O púlpito em ruínas – parte 1

Por Silas Alves Figueira

Ouvi a história que um pastor que estava carregando um púlpito de madeira nas costas pela rua. Alguém que conhecia o pastor lhe perguntou para onde ele estava levando aquele púlpito; ele então respondeu que estava levando o púlpito para a marcenaria, pois o mesmo estava em ruínas devido aos cupins em sua base.

Fiquei pensando nesse ocorrido e comecei a observar que há hoje em dia muitos púlpitos em ruínas devido ao ataque de “cupins” em sua base. Embora nós temos visto hoje em dia a moda dos púlpitos de acrílico, mas a base está sendo atacada por “cupins” espirituais. E a base dos púlpitos em ruína hoje são os líderes que estão por trás deles. Pessoas que não condizem com o nome que carregam; o nome de cristãos. Pessoas que estão em ruínas em várias áreas de suas vidas. Líderes que estão à frente de uma congregação, seja ela pequena, média ou grande, mas tem sido referência negativa para essas pessoas. Líderes que influenciam e que, de alguma forma, direcionam muitos para o mal e não para o bem. Gente trabalhando para o diabo, mas usando o nome de Deus.

Vamos enumerar alguns fatos que têm levado muitos púlpitos à ruína hoje:

Primeiro é vermos líderes não convertidos atrás do púlpito. Parece loucura o que vou falar, mas infelizmente não é, há muitos líderes atrás do púlpito que não nasceram de novo. Pessoas que nunca tiveram uma experiência de conversão. Agem como crente, tem cacoete de crente, mas estão longe de uma fé genuína, pois não nasceram de novo.

Vemos isso através das próprias palavras do Senhor Jesus no final do Sermão do Monte:

Muitos me dirão naquele dia: “Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?” Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! (Mt 7.22,23 – NVI).

Como disse Spurgeon, que coisa horrível, ser pregador do evangelho, e, todavia, não estar convertido! Um pastor destituído da graça é semelhante a um cego eleito professor de ótica, que faz filosofia sobre a luz e a visão, comentando e distinguindo para outros os belos sombreados e as delicadas combinações das cores prismáticas, enquanto ele mesmo está absolutamente em trevas! É um mudo elevado à cátedra de música; um surdo a falar sobre sinfonias e harmonias! Uma toupeira pretendendo criar filhotes de águias; um molusco eleito presidente de anjos! [1].

Tais líderes são cegos guindo cegos (Mt 15.14; Lc 6.39). São pessoas que estão indo para o buraco e estão levando outros com eles.

Segundo é vermos líderes deformados em seu caráter. Spurgeon diz que se o nosso relógio não estiver certo, muitas poucas pessoas, além de nós mesmos, sofrerão com o engano, mas se o do edifício dos Horse Guards, de Londres, ou o do Observatório de Greenwich, estiver errado, a metade de Londres ficará desorientada. Assim com o ministro. Ele é o relógio da comunidade. Muitos conferem a sua hora com ele e, se ele for incorreto, todos andarão erradamente, uns mais outros menos, e em grande medida ele terá que responder por todos os pecados que ocasiona [2].

É igual a história de um determinado pastor que assumiu uma igreja. No dia da posse ele estava com a esposa, pagaram hotel para o casal passar a noite… Alguns dias depois esse pastor disse que estava separado de sua esposa e que estava aberto para novos relacionamentos. Não tardou muito, vários membros da igreja passaram a agir como ele e ainda diziam que se o pastor podia eles podiam também.

Se houver pecado na congregação que não seja o pastor o exemplo desse pecado. Como disse Paulo a Timóteo:

“Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza. Até a minha chegada, dedique-se à leitura pública da Escritura, à exortação e ao ensino. Não negligencie o dom que lhe foi dado por mensagem profética com imposição de mãos dos presbíteros. Seja diligente nessas coisas; dedique-se inteiramente a elas, para que todos vejam o seu progresso. Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, agindo assim, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem” (1Tm 4.12-16 – NVI).

Terceiro é vermos líderes preguiçosos no estudo da Palavra. A. W. Tozer falando a respeito do coração inconstante diz que o problema é que, em geral, as únicas atividades nas quais todos perseveram são aquelas em que a natureza as força a praticar – comer, beber, dormir, proteger a si mesmo, ou outro poderoso instinto interno. Enquanto humanidade perdurar, o amor, o casamento e tudo mais continuarão a existir, já que esses são instintos profundamente arraigados à nossa espécie. Entretanto, aquilo que requer planejamento e um esforço cuidadoso e árduo torna-se fácil de abandonar [2]. No caso em questão a perseverança em estudar as Sagradas Escrituras.

Para tal é necessário, em primeiro lugar, ter senso de responsabilidade. Ter consciência de que temos que estudar com dedicação e empenho, pois afinal de contas a igreja espera de nós alimento sólido toda vez que nos posicionarmos atrás do púlpito, e não lhes oferecermos palha como muitos fazem. Mas para isso é necessário sermos responsáveis, pois o irresponsável não se importa com isso.

Manejar bem a palavra da verdade implica em dedicação e empenho, esforço redobrado, desejo de fazer o melhor pelo Reino e para o Reino.
Tomemos como exemplo a carta de John Wesley a John Trembath:

“O que tem lhe prejudicado excessivamente nos últimos tempos e, temo que seja o mesmo atualmente, é a carência de leitura. Eu raramente conheci um pregador que lesse tão pouco. E talvez por negligenciar a leitura, você tenha perdido o gosto por ela. Por esta razão, o seu talento na pregação não se desenvolve. Você é apenas o mesmo de há sete anos. É vigoroso, mas não é profundo; há pouca variedade; não há sequencia de argumentos. Só a leitura pode suprir esta deficiência, juntamente com a meditação e a oração diária. Você engana a si mesmo, omitindo isso. Você nunca poderá ser um pregador fecundo nem mesmo um crente completo. Vamos, comece! Estabeleça um horário para exercícios pessoais. Poderá adquirir o gosto que não tem; o que no início é tedioso será agradável, posteriormente. Quer goste ou não, leia e ore diariamente. É para sua vida; não há outro caminho; caso contrário, você será, sempre, um frívolo, medíocre e superficial pregador. Faça justiça à sua própria alma; dê-lhe tempo e meios para crescer. Não passe mais fome. Carregue a sua cruz e seja um cristão no verdadeiro sentido da palavra. E então, todos os filhos de Deus se regozijarão (e não se afligirão) consigo; e, particularmente”.

Poderíamos ampliar essa lista, mas creio que tudo começa pela falta de temor, por que muitos na verdade nunca tiveram uma experiência de conversão. Quem não é convertido não tem o Espírito Santo habitando em si, quem não tem o Espírito Santo não pertence ao Senhor e quem não pertence ao Senhor é filho do diabo.

O que temos visto hoje em muitas igrejas são filhos do diabo se passando por filho de Deus e levando as pessoas para o inferno com elas.

Pense nisso!

Notas:
1 – Spurgeon, C. H. Lições aos meus alunos, vol. 2. Editora PES, São Paulo, SP, 2002: p. 11.
2 – Spurgeon, C. H. Lições aos meus alunos, vol. 2. Editora PES, São Paulo, SP, 2002: p. 20.
3 – Tozer, A. W. Os Perigos de Uma Fé Superficial. Graça Editorial, Rio de Janeiro, RJ, 2014: p. 86.


Fonte: www.napec.org

sábado, 13 de janeiro de 2018

Deus é mais simples que as religiões


“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30).
“Deus é mais simples que as religiões”, disse o poeta Mário Quintana, que não se considerava um religioso, embora fosse criado nos moldes do catolicismo. Eu particularmente acho que ele poderia ser agnóstico, não um ateu propriamente dito. Agnóstico é aquele que pode até acreditar na existência de Deus, embora não tenha certeza que de fato Ele exista. Literalmente falando um agnóstico é aquele que não tem o conhecimento necessário sobre a certeza da existência de uma divindade superior (um não conhecimento), pois “gnose” significa conhecimento. Em certo sentido eu concordo com a frase. Geralmente as religiões complicam tudo.

Deus é simples, não no sentindo de ser simplista ou cuja constituição se pode conhecer plenamente. Não dá para dissecarmos a Deus como se faz com um cadáver humano para que se conheça seus pormenores. Deus é infinitamente Ele. Só Ele é o que é. Nesse sentido Ele é altamente complexo. Impossível a concepção pela mente humana. Como disse Santo Agostinho: “O finito não pode conhecer o infinito”.
Deus é simples no sentido de se deixar conhecer. E nesse “deixar-se conhecer”, que conhecemos dEle já nos é suficiente. Sem barganhas, sem sacrifícios e sem teorizações filosóficas. Em contrapartida a religião exige normas, regras sobre-humanas, leis impraticáveis. É preciso cumprir exaustivamente os sacrifícios, oferendas e exigências das divindades mal-humoradas.

Em Jesus tudo isso fica em segundo plano. As exigências do Deus-Pai foram cumpridas pelo Deus-Filho. É coisa de Deus não de homens. Nenhum homem poderia cumprir as exigências do Deus Eterno. E Cristo o nosso substituto pede pouca coisa, aliás, uma só coisa: que se creia nEle. Por isso o seu jugo é suave e seu fardo é leve.
Um jugo, se você não sabe, é tipo uma peça de madeira que se colocava no pescoço dos animais. Geralmente eram dois bois ou outros animais fortes. Se fazia assim para que se controlasse o arado onde se fazia os sulcos no terreno, preparando-o para a plantação. O jugo desigual seria colocar a peça em dois animais de espécies diferente. Um boi e um cavalo, por exemplo. O que era proibido pela Lei (Deuteronômio 22.10).

O jugo de Jesus é suave porque não carregamos o fardo da vida sozinhos. Ele sempre está conosco para nos ajudar. O alivio vem dEle. Todo descanso para a alma cansada só pode vir dEle. A religião nua e crua ao invés de aliviar a carga, aumenta o sofrimento do ser humano porque ela é quase sempre desumana. Essa é a diferença de Jesus e da religião.

O fardo da religião é pesado. E como é pesado. O apóstolo Paulo sabia disso. Ele era um fariseu insensível. Um religioso que matava em nome de Deus. Um líder religioso que não conhecia a Graça, o amor e o perdão de Deus. Até que teve um encontro com o Mestre dos mestres. No caminho de Damasco (Atos 9) ele descobriu que servir a Jesus é uma coisa, servir a religião é outra totalmente diferente. Ele tentava viver perfeitamente. Era sincero no que fazia. Tantas exigências para que se viva uma vida intocável, pura e perfeita. Mas como um imperfeito pode viver perfeitamente?

A religião sufoca, mata, oprime… A religião escraviza, Cristo liberta. A religião entristece, Cristo dá alegria. A religião reprime, Cristo dá paz. A maioria das pessoas têm fé em algo, mas é preciso ter fé em alguém. É nisso que as religiões erram. O algo é efêmero, o alguém tem que ser Eterno. O algo é fraco, frágil, pueril. O alguém deve ser Todo-poderoso e imortal.

Mas também não podemos colocar nossa fé em qualquer alguém. Esse alguém tem que ser Deus-Cristo, do contrário, colocar a fé em homens ou na religião vazia é outro grande erro que não se deve cometer. Hoje as pessoas estão crendo em falsos apóstolos, profetas, bispos e líderes falíveis. Colocar a fé na religião é colocar a fé em algo. Crer em Jesus é colocar a fé em alguém que não pode mentir. É esse alguém que merece ser adorado e amado com todas as nossas forças. Você está colocando sua fé em algo ou em alguém? Lembre-se do que Ele disse: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele”. João 3.36 (KJV).


Fonte: www.napec.org

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

O Espírito Santo em Romanos

Por Jean Seifert

O livro de Romanos é a primeira das cartas apostólicas no novo testamento e provavelmente a mais importante. Todas as outras cartas do Novo Testamento parecem terem sido escritas e enviadas às igrejas, mas Romanos não tem paralelo com o restante das escrituras, pois é destinada a igreja como um todo, pois o propósito era de apresentar o Evangelho aos que nunca tinham se encontrado com Paulo. Pelo Evangelho ser o foco da Carta, O Espirito Santo não tem tanta frequência nas citações de Paulo.

O Espírito Santo é mencionado no capítulo 8 da Carta aos Romanos dezenove vezes, mais frequentemente do que em qualquer outro capítulo da Bíblia.

O Espírito Santo na Carta aos Romanos

Na maioria das vezes não se sabe empregar a utilização do “e” maiúsculo ou minúsculo quando se refere a palavra “espírito” na Escritura Sagrada.

O primeiro episódio referente à palavra “Espírito” é um exemplo. Contudo, como frequentemente é aceito que a frase “Espírito de santificação” se refira a caráter, é mais certo explicar o termo ligado ao Espírito Santo do que sobrepô-lo a alguma área marcada, onde a santidade é acentuada.

Estes versículos geram uma declaração Cristológica como uma realidade básica do Evangelho. Compreende o percurso de Cristo desde sua encarnação até a ressurreição dos mortos. A participação do Senhor como homem sem pecado, Sua experiência na morte e imediata ressurreição dentre os mortos através do poder de Deus, foram completamente conciliável com o caráter Divino como revelado pelo “Espírito de santificação”.

O mesmo destaque é mantido na segunda passagem em que a palavra “espírito” é utilizada e, no contexto, é fácil entender o motivo. Por mostrar a natureza pecadora do homem com seus temíveis resultados, e pondo em pauta a eficácia do Evangelho até o ponto onde afirma: ”tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”, Paulo soma a estas palavras, em Romanos 5:5 que “o amor de Deus está derramado em nós corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”.

Numa carta aplicada ao esclarecimento da Justiça comprometida com a provisão da salvação para a humanidade, o foco é posto na santidade do Espírito. Nada poderia estar mais afastado do santo caráter de Deus do que declarar um meio de concordar sobre uma base que não fosse justa e santa. A santidade do Santo Espírito é enfatizada pelo contato que Ele sustenta com a ressurreição de Cristo e pela incumbência que Ele desenvolve em favor daqueles que, tendo sido justificados pela fé, têm paz com Deus.

O capítulo 8 de Romanos alicerça sobre a obra do Espírito Santo na Sua amizade com o cristão, e muitos valores relevantes Lhe são conferidos. Dentre os dezenove acontecimentos da palavra “Espírito” identificadas neste capítulo, duas vezes é relatado o “Espírito de Deus” (versículos 9 e 14); uma, o Espírito Santo é chamado o “Espírito de vida” (versículo 2); outra, temos o “Espírito de Cristo” (versículo 9), e, o “Espírito de adoção” (versículo 15). Todas as outras citações ou emprego da palavra espírito tem a ver com as características, a obra e com o relacionamento que o Espírito Santo mantem com seu povo.

O pretexto de Paulo, pertinente à “justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo” (capítulo 3 versículo 22), cumpre seu clímax neste capítulo. A morte do pecador é necessária e não se pode fugir dela. O Evangelho de Deus anuncia que um Substituto foi encontrado na Pessoa do Filho de Deus. A chave para uma vida cristã se encontra no capítulo 6: “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com Ele [Cristo] crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado”.

No desenvolvimento espiritual, o cristão vem a ter o mesmo entendimento de Paulo, que disse: “Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento” (Capítulo 7 versículo 23). Livre para sempre da punição do pecado, o cristão se sente derrotado ao descobrir que é “carnal”, isto é, exposto a todas as fraquezas da carne e, em si mesmo, impossibilitado de combater o inimigo com fé na vitória.

A constante solidão vista no capítulo 7 leva ao lamento: “Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (versículo 24). Paulo sabe que há socorro. Falar sobre “o Espírito de Deus” e “o Espírito de Cristo” em absoluta igualdade, define a relação das Pessoas Divinas.

Como “Espírito de Vida”, Ele é o poder reformador o qual o cristão nasce e como o “Espírito de Adoção”, o Espírito Santo instrui o filho de Deus a dizer: “Aba, Pai” ao se aproximar de Deus (capítulo 8 versículo 15). No breve espaço desses nove versículos, o Espírito Santo é relatado dez vezes. No versículo 9 O Espírito Santo aparece três vezes e é chamado “o Espírito”, “o Espírito de Deus” e “o Espírito de Cristo”. Aqui aparecem dois aspectos importantes. Um é que a Divindade existe como uma Trindade. “O Espírito Santo, procedendo do Pai e do Filho, é da mesma substância, majestade e glória do Pai e do Filho, Deus verdadeiro e eterno”.

Ser chamado o “Espírito de Deus” dá ênfase à afirmação feita pelo Senhor, em João 15:26, de que Ele enviaria o Espírito Consolador, “aquele Espírito de verdade, que procede do Pai”. O Espírito Santo de Deus habita no cristão como o Espírito de Cristo e isso pelo poder do Espírito Santo. Ou seja, não é possível pertencer a Cristo se o Espírito de Cristo não habitar em seu coração (versículo 9).

Entende-se que o corpo do cristão é remetido à morte e um dia, se a vinda de Cristo não nos alcançar em vida, seremos levados por ela, mas nesse período, Deus é a fonte de vida; nosso Senhor Jesus é o canal e o Espírito Santo o elemento da sua concessão. Em Romanos vê-se de Deus, que ressuscitou a Jesus dentre os mortos (Capítulo 4 versículo 24). O Espírito Santo é denominado “o Espírito de Vida” (capítulo 8 versículo 2). A definição do Espírito Santo como “o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus” (capítulo 8 versículo 11) é muito pertinente, pois está vinculado com a vida Divina sendo manifestada no cristão.

Dentre outras, a última das dez referências ao Espírito Santo neste pequeno trabalho sobre o livro de Romanos tem a ver com Seu testemunho da realidade da posição do cristão na família de Deus. O testemunho ao espírito do cristão, gerado pelo poder do Espírito que nele habita tem a garantia segura de que somos nascidos de Deus como Seus filhos. Ou seja, somos constituídos “herdeiros de Deus” (versículo 17). E, também “coerdeiros de Cristo”, como nos foi conferido este título maravilhoso.

Habitado pelo “Espírito de vida, de Cristo e de Deus”, o cristão é livre e herda o direito de clamar como filho de Deus. Na primeira parte da epístola aos Romanos, o Apóstolo Paulo não se descuidou da execução prática da verdade, pois enfocou no tema referente ao Espírito sendo de forma doutrinária, Incentivando o povo de Roma a seguir segundo o espírito, não segundo a carne, e alerta que a inclinação da carne é morte, mas a inclinação do Espírito é vida e paz (versículo 6).

No final da carta de Romanos, Paulo escreve aos romanos de modo exortativo. Vê-se que o início do capítulo 12 é definido neste ponto. Paulo reforça a andar em Espírito para que se experimente a vontade de Deus: “Para que experimenteis [na prática] qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Capítulo 12 versículo 2).

Isto que Paulo quer dizer é que não é a característica de andar em amor, ou alegria, pois o reino de Deus é estabelecido em muito mais do que aquilo que comemos ou bebemos. Suas características são Justiça, paz e alegria no espírito Santo (Capítulo 14 versículo 17). Algumas características atribuídas Espírito Santo são relatadas em Romanos capítulo 16 versículos 13,16,19 e 30. A virtude, ou poder, do Espírito e amor do Espírito. Estas palavras descrevem atributos ou atividades do Espírito Santo que estão em completa harmonia com o contexto geral em que são encontradas.

Conclusão

Através da carta escrita aos Romanos, Paulo apresenta, em uma linguagem obvia, o que ele denomina de “meu evangelho”. Ele utiliza de uma situação jurídica em que os romanos, ou a população em geral está perante o tribunal Divino, incriminada, culpada e sobre quem aguarda a pior sentença: morte. De sobremaneira, um meio de absolvição, ou perdão, é planejado e anunciado pelo próprio Juiz, baseando-se em perfeita justiça.

O grande poder que está nas mãos de Deus, abundado pelo espírito Santo, absorve a agonia, o desespero do “réu” e convicto e o substitui por paz, gozo, alento e esperança por meio da fé. Pelo mesmo poder produzido pelo Espírito Santo, Sinais e prodígios, citados no capítulo 15 versículo 19 são revelados através da pregação do Evangelho do apostolo Paulo, para que os homens sejam obedientes e atentos à palavra de Deus.


Fonte: www.napec.org

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Apenas o amor eterno de Cristo pode absolver a inimizade eterna do homem

Por Jorge Fernandes Isah
Introdução
Este é um trecho pinçado de um estudo e meditação no verso de Romanos 13.10 o qual é o seguinte [1]:

“O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor.”

No trecho abaixo, abordarei a questão da impossibilidade do homem cumprir a lei, e da necessidade do Salvador divino-homem, Jesus Cristo. É claro que esta abordagem não é exaustiva, nem tem pretensão de sê-la; é muito mais uma apresentação do tema, e da análise de que o Justo, Santo e Salvador teria de ser poderoso, infinito e eterno, algo que está muito além, e aquém, da condição humana em sua finitude e corrupção.

Espero, se assim Deus o quiser, em breve, tecer e aprofundar-me mais no assunto, aparando as muitas arestas, sem que vá criar outras, é o que tenciono. Oro, para Deus me abençoar, e ao leitor, que antes de se debruçar sobre este texto, reconheça que o meu único objetivo é ser fiel à verdade, Cristo, o qual quero, acima de tudo, glorificar e honrar, como prova da minha mais profunda gratidão, por quem ele é, fez, e, sobretudo, pelo amor com que me amou eternamente.

Soli Deo Gloria!!

Cristo e a Lei 
Alguns cristãos reputam a lei como maléfica, como um entrave à santificação e à comunhão com Deus. Tendo em vista o seu caráter obrigatório, uma exigência, entendem ser isso danoso para a vida espiritual do homem. A premissa é, muitas vezes, a de que: se não se é capaz de cumpri-la totalmente, não se deve preocupar em cumpri-la em qualquer de seus preceitos. Ora, essa não é outra senão a heresia do antinominialismo, que defende a vida cristã sem qualquer lei, apelando para a graça absoluta. É claro que a graça é absoluta, pois procede do Deus absoluto, mas estaria o homem dispensado de cumprir a Lei por um mero capricho da graça? Ou seria a graça o fomentador do cumprimento da Lei, de maneira que o homem se aprimoraria no desejo íntimo e sincero de obediência a Deus e à sua vontade? Estaria a Lei alijada da graça e vice-versa? Ou ambas seriam manifestações divinas unidas por sua vontade sobrenatural de nos fazer semelhantes a Cristo? Homens imperfeitos sendo cada vez mais identificados com o Senhor que os salvou, chamou, transformou e santificou? A salvação prescinde o zelo? E a eleição a obediência? Penso, categoricamente, que não!

A alegação de quem defende uma posição de antinomia é de que cumprir a Lei seria farisaísmo, hipocrisia, e uma atitude legalista, manifestações pecaminosas daquele que não tem a graça sobre a sua vida. Acreditam que a graça se manifesta cada vez mais onde o pecado abunda. Tomam de Paulo uma afirmação e lhe dão outro sentido, distorcendo-o, tornando em mentira a verdade, em engano a fidelidade, em morte a vida.

“Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor” (Rm 5.20-21)

Este trecho não sanciona o pecado, muito menos o estimula ou anula, como se o homem, debaixo da graça, pudesse abusar dela, tornando-a em desgraça. O apóstolo não está dizendo que quanto mais se peca, mais a graça se manifesta, mas que Deus, em seu amor e bondade infinitos, não levou em questão a multidão de pecados do seu povo, derramando sobre a propiciação dos pecados, ou seja, o sangue de Cristo derramado na cruz nos livra da condenação e separação eterna de Deus. Não é um salvo-conduto para o pecado. Nem o tratar com desprezo ou trivialidade. Muito menos uma forma de incentivo ou ânimo. Paulo está a dizer que onde haveria condenação e punição, Deus nos entregou a sua absolvição. Sendo todo o pecado uma ofensa direta a ele, somente o Senhor poderia nos perdoar e absolver. O duro e feroz julgamento ao qual fazíamos jus, recaiu sobre o seu Filho. Alguém teve de pagar a pena, e não fomos nós. Porque nos era impossível quitá-la. Apenas o Deus-Homem, 100% Deus e 100% Homem poderia realiza-lo; ninguém mais.

Quando Adão cai, todos nós caímos. O pecado nos foi transmitido como por uma doença altamente contagiosa, da qual ninguém a não ser o Santo estava imune. Sim, ainda que fosse uma possibilidade, a de que Cristo pudesse pecar, não havia potencialidade nele para a transgressão, para a rebeldia. Pelo contrário, como ele mesmo disse, viera ao mundo para fazer a completa vontade do Pai, cumprindo toda a Lei, e padecendo como um inocente.

Naquela cruz, o Santo, imaculado, sofreu o castigo que nos pertencia, do qual não poderíamos nos livrar, se o esforço empreendido fosse nosso. Por mais empenho e disposição no sentido de obediência à lei divina, ela estava a nos acusar a todo momento, espetando-nos com sua ponta dura e letal, desferindo golpes mortais na carne e na alma, fazendo-nos definhar pouco a pouco ao seu castigo, à sua implacável justiça.

Com isto, não estou dizendo que a Lei é pérfida ou injusta, mas de que ela, sobretudo, aponta-nos a condição de perdidos, afastados, inimigos de Deus, quando a transgredimos, quando insidiosamente tentamos burlá-la, negligenciá-la, desafiá-la, desrespeitá-la. Assim fez Adão. O homem que deveria cuidar da mulher, de toda a criação, como mordomo instituído por Deus, sucumbiu aos apelos néscios de Eva. Da serpente. Não foi a Lei a instiga-lo, mas a cobiça. Não o preceito a inflamá-lo, mas a soberba e a vaidade. A santidade já não era possível ao coração inclinado à desobediência. A pureza não mais o dominava; a fleuma da concupiscência tomava-lhe o lugar. Nem toda a profusão de bênção e favores dados por Deus seriam capazes de impedir o ingrato de desprezá-lo. Adão olhava o fruto. Apetecia-lhe o fruto. Desejava-o. Não resistiu a tocá-lo. Nem o comer. O cravar-lhe os dentes foi apenas o ponto final de uma longa trajetória de declínio e morte. Não foi o início, mas o desfecho final da tentação, da rebeldia presente nos primórdios do seu desejo.

Adão pouco a pouco se convenceu de que a realidade apresentada por Deus era falsa, mentirosa, e de que a ilusão proposta pela serpente era factível e verdadeira. Não sabemos quanto tempo durou o convencimento para a queda. Segundos, minutos, horas. Talvez dias. O certo é que quanto mais se deixava enredar pela fraude, mais ela se solidificava em seu coração. O pecado se agigantou, tomou-lhe a vida, e não mais era possível resistir, a partir de certo ponto. Adão poderia manter-se fiel a Deus com uma simples recusa: bastaria expor a serpente ao ridículo, lançar-lhe em rosto a sua desfaçatez e ignomínia. Como ele poderia se deixar enredar por alguém de quem pouco ou nada conhecia?

Ao contrário, Deus já havia lhe provado quem era, não poderia existir dúvidas de quem era; os seus feitos, a sua bondade, o seu cuidado, misericórdia e providência falavam por si. Era clara e nítida a boa vontade divina para com o casal; entretanto, negaram ouvir a sua voz, dando trela à serpente (deixando-se enganar) que se viu estimulada a permanecer firme no intuito de destruí-los.

Não é assim que procedemos, negando ouvir a voz de Deus, em favor do nosso eu ou de outro eu? Em disposição, ainda que sincera, de sermos ludibriados? De não reconhecer aquele que é o doador de todas as coisas, que age com infinita misericórdia, para entregar-nos a nós mesmos ao ladrão de corações? O inimigo odioso de almas? Ah, quão triste será para aqueles que se entregaram ao grito estridente de morte do diabo; passar a eternidade em tormento e castigo indescritível com o algoz. Não satisfeito em aniquilar-se, arrogante e presunçoso, arrasta consigo multidões de tolos que se entregam às suas artimanhas. Vê-lo sendo castigo poderá trazer algum alívio, mas não impedirá aqueles que o seguem de compartilhar da sua dor. Não importa em que nível, o flagelo de satanás e seus anjos será o mesmo do homem reprovado. Se o sangue de Cristo não o alcançar, a vara imperdoável de justiça do Pai o flagelará. Apenas o Filho pode livrá-lo da tormenta no inferno; e bom seria se cada um dos homens se apercebesse disso o mais rapidamente possível. Mas sabemos que o coração indolente e obstinado somente poderá reconhecer-se como tal se quebrantando, se esmagado pelo amor de Cristo, o qual nos constrange. A dureza e impertinência da morte tem de ser esmigalhada, pulverizada, pela graça, a fim de que um coração de carne viva.

Se Cristo não o encontrar, o homem jamais será achado. E se perderá definitivamente na própria multidão de pecados. Enquanto as transgressões o sufocam, o imobilizam em correntes de contenção, o desespero antecede a dor, enquanto o verdugo se aproxima, e não lhe restará nada além de lamentar amargamente, ou praguejar estupidamente, pela derrota que tão desleixadamente acalentou, cultivou, em meio aos alertas insistentes da palavra, e à exortação para reconciliar-se, abandonando os caminhos erradios, a fim de seguir os passos de Jesus.

Enquanto Adão for o protótipo do homem, a voz da serpente estará sempre a soar em seus ouvidos, como o sibilar da mais terrível desgraça. E mesmo quando for picado fatalmente, acreditará ouvir o som matinal dos pássaros, como se o despertassem para a vida, quando ela é uma lembrança antiga dos tempos em que o homem vivia no paraíso; mas em sua confusão, desnorteado, era incapaz de retomar o caminho. O único guia e mestre foi desprezado; o cego a acurar os ouvidos ao chamado próprio, ou ao apelo de outro perdido.

O Cumprimento da Lei 

Como disse, era impossível ao homem cumprir a lei. A própria condição humana, desde o nascimento, já a torna impeditiva e impossível de ser cumprida. Nascido em pecado, tornado desde o ventre um transgressor natural [em sua natureza o homem já dispõe desta característica, estando inviolável para o bem e a santidade por si mesmo, uma vez que carrega no seu âmago a marca do pecado herdada de Adão], mesmo sem ainda ter praticado, levar a efeito ou colocar em prática o pecado, a semente está ali, germinando, desenvolvendo-se, a fim de dar os seus frutos, no tempo devido.

A ideia de que o homem pode, em algum sentido, cumprir a lei é uma fanfarrice de quem a defende. A lei não veio salvar ninguém, nem lhe dar alguma condição de autossalvação. Pelo contrário, ela vem nos acusar, nos molestar, revelando a completa e total incapacidade de ser cumprida por pecadores. Sim, o pecador não pode cumprir a lei, ainda que o faça extemporaneamente, ainda que a obedeça parcialmente, ainda que se esforce para manter-se dentro da lei, o fato é que, para os homens naturais, essa é uma empreitada impossível. Não é o que Paulo nos diz? Ou estaremos indo por algum eflúvio ilusório e condescendente ao afirmar algo que nega por completo o testemunho bíblico? Senão, vejamos a afirmação do apóstolo:

“Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.” (Rm 3.19-20)

Não há como ser mais claro! Os versos nos remetem à incapacidade humana de se auto justificar diante de Deus, pois é ele quem nos justifica, e com a sua perfeita justiça nos faz justos diante dele. Evidente que aqueles que são alcançados por ela desejarão ardentemente cumprir toda a lei. Querem, no mais íntimo do seu coração, fazê-lo por gratidão, por amor, porque Deus em sua infinita bondade e misericórdia não levou em conta as transgressões e ignorância do seu povo, mas decidiu salvá-lo. Não somente para si, mas dele mesmo. Cada um de nós, eleito do Senhor, foi salvo da própria condição de inimigo, de miserável, e cego, e nu, para reencontrar-se com o Senhor, ter comunhão eterna com ele, e deliciar-se plenamente nele.

Paulo não revela qualquer possibilidade do homem cumprir a lei. É algo impossível! A lei veio apenas para revelar, deixar patente a pecaminosidade do homem. É como um espelho invertido a refletir aquilo que não somos, não alcançamos, nem realizamos por nosso esforço próprio. Nenhuma carne pode ser justificada diante de Deus pelas obras da lei, mas é pela justificação graciosa de Deus que somos capazes de realizar essas obras. É pelo sacrifício de Cristo, o qual nos justificou, imputando-nos a sua justiça, que ardentemente desejamos cumprir a lei; ainda que caíamos vez ou outra em seu rigor e impraticabilidade por causa de haver, por ora, em nós, a possibilidade do pecado, dele ainda se insurgir, em seus últimos estertores, querendo reavivar o velho homem, e dominá-lo. Contudo, ela nos remete ao que seremos, quando não mais houver a chance de pecarmos; seremos santos como santo é o nosso Senhor, e então a lei, aquela escrita no coração de Adão antes da queda, será completamente escrita em nossos corações, e não mais o mal nos tocará, nem os desejos impuros nos insuflarão, nem a fraqueza nos tomará, nem a queda nos levará ao chão. Haverá em cada eleito apenas a santidade plena, a obediência completa, o louvor perfeito, a a gratidão absoluta ao Deus que, graciosa e benignamente, nos imputou. Entretanto, neste tempo, ainda convivemos com o pecado, com a maldita marca herdada de Adão, e a lei apenas nos faz lembrar aquilo que ainda somos, e o quanto ainda ofendemos a Deus quando deixamos que ela nos conquiste, domine, e realize em nós a sua vontade mortal.

Assim, nenhum homem pode cumprir a lei, nem mesmo aqueles bebês que morreram antes de cometer qualquer pecado, pois mantém-se pecadores. A semente do Éden está inserida em suas almas de uma maneira tão destrutiva que a morte lhes aprisiona ainda no nascedouro. E essa é a prova de que, nem mesmo eles são santos, ou têm justiça própria, mas carecem da santificação e justificação de Cristo.

Da mesma forma que uma oliveira é uma oliveira, ainda que não tenha dado frutos, o homem é naturalmente pecador mesmo que ainda não tenha cometido uma única transgressão. Se em Cristo existe a possibilidade de pecado, por causa da sua natureza humana, mas não há, de fato, a potencialidade para o mal e a transgressão, em nós tanto se encontra a possibilidade como a potencialidade e, no fim das contas, será apenas questão de tempo para o pecado se manifestar efetivamente, nos atos e atitudes de rebelião e ofensa a Deus e sua lei. Porque a essência humana é o pecado, assim como a de Cristo é a santidade.

Então, apesar da lei ser um norte, um orientador para o homem não ofender a Deus, não pecar contra o próximo e contra si mesmo, ainda que se possa cumprir um ou vários de seus preceitos, não nos é permitido cumpri-los integralmente, a fim de a lei não ser violada, e a justiça satisfeita. É o que nos diz Tiago:

“Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos. Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu pois não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei” (Tg 2.10-11).

O condenado, para ser liberto, tem de cumprir toda a pena; no caso da ofensa a Deus ela é impagável, pois sendo Deus eterno e infinito, a ofensa atinge-lhe em sua eternidade e infinitude. O pecador gastaria o “sempre” e jamais quitaria a sua dívida. Seria eternamente devedor da ofensa. Ao nascermos com o pecado original, separados de Deus, a lei maior, aquela que nos coloca em comunhão e sujeição ao Criador, foi quebrada, transgredida, pela desobediência e inimizade, não restando ao homem nada além de se lamentar, chorar, e clamar por misericórdia. Porque o pecado é o muro intransponível que impede o homem de ter comunhão com Deus, uma barreira erguida no seu coração, onde o desejo perverso e corrompido tomou-lhe de assalto o lugar onde deveria habitar a gratidão e o louvor ao Criador. Logo, a inimizade eterna somente poderia ser quebrada, absolvida, pelo ofendido, que em sua natureza eterna livraria o homem das consequências perenes de sua transgressão. Ou seja, apenas Deus pode tirar o homem dessa condição; e se ele não o fizer, ninguém mais pode. Por isso, Satanás, ainda que se arrependesse amargamente pelos seus pecados, ainda que derramasse todas as possíveis lágrimas que tivesse, ainda que ficasse de joelhos por todo o restante da sua existência, ainda que se flagelasse diuturnamente, ainda que fizesse todo o bem de que é incapaz de fazer, ele jamais pagaria o preço da sua rebeldia. Não há como criaturas temporais quitarem uma dívida com o ser supremo e eterno. Apenas se deve esperar o perdão, clamar por ele, e aguardar que a justiça divina seja satisfeita.

A lei de Deus é sábia porque infere proporção às penas; não se pune alguém que cometeu um crime por engano com aquele que o realizou deliberadamente. Ainda que o mal tenha se realizado em ambas as situações, a pena do criminoso por negligência ou omissão não se equipara em gravidade ao criminoso por dolo, que desejou produzir o mal. Enquanto este pecou por eficiência, alcançando o seu objetivo inicial, aquele pecou por inépcia, sem que fosse o alvo da sua vontade. Um motorista que mata um transeunte por imperícia ou barbeiragem não está na mesma condição daquele que planeja uma armadilha, uma emboscada, e assassina deliberadamente outrem. Da mesma forma, um crime praticado contra um animal, ou uma propriedade, era reparado na proporção do bem, quando muito, acrescido de um valor extra como punição pela incúria. Se o crime era contra a vida alheia, se por omissão ou desleixo, a prisão era o castigo principal; se o atentado contra o outro era deliberado, maquinado, engendrado, a punição era com a própria vida do agressor.

Imagine então a transgressão contra Deus? O supremo Criador e Senhor de todas as coisas? Ao Deus eterno, infinito, perfeito e bom, quem pode pagar uma ofensa? Umazinha sequer? E quanto a várias e múltiplas transgressões? A punição eterna seria pouco para tamanho crime. Por isso, nenhum homem está habilitado a pagá-la; a sua condenação é por toda a eternidade. A sentença não pode ser outra. A lei, portanto, não veio para que o homem a cumpra, mas para que saiba da gravidade de seus pecados, e de como é incapaz de obedecê-la em toda a sua extensão, e de reparar, saciar a justiça divina, pagando uma dívida insolvível.

Nesse quadro de completa e total impossibilidade humana de autorrestauração, Deus, em sua infinita graça, propiciou-nos o resgate, a libertação das amarras malignas a aprisionar o seu povo, livrando-o do cativeiro do mal, tirando-o das trevas e introduzindo-o na luz do seu Filho Amado. Deus nos deu Cristo, ele sim o único capaz de cumprir a lei em sua integralidade, e dessa forma satisfazer a justiça divina.

A ideia de que Cristo veio anular a lei, não ecoa nas próprias palavras do Senhor:

“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus. (Mt 5.17-20)

Ele veio cumprir a lei completamente, em sua totalidade, porque apenas o Justo e Santo o poderia fazer; apenas o Justo e Santo agradaria e satisfaria a justiça divina; apenas o Justo e Santo pagaria e anularia os pecados cometidos pelo seu povo; apenas o Justo e Santo poderia, pelo seu sacrifício, tomando o lugar daqueles que amou eternamente, tornar santos e imaculados os pecadores pelos quais morreu; apenas Cristo poderia, como mediador eterno, religar o homem ao Criador, fazendo-os aceitáveis diante de Deus. Por isso ele veio. Por isso, deveria cumprir toda a lei. Por isso, sofreria os rigores da lei. Por isso, fez para si um povo santo. Recebendo, na cruz, a ira divina. Por isso, ele pôde dizer, no Gólgota:

“Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. (Jo 19.30)
Quem mais poderia fazê-lo? Eu? Você? Impensável o homem cogitar-se no lugar de Cristo, como propiciador da sua redenção.

Quando outras religiões, inclusive algumas que se consideram “cristãs”, mas que de fato não têm nada a ver com a verdade, alegam que Cristo é um ser criado, um deus menor, ou apenas humano, uma alma iluminada, mas nada além disso, podemos entender em quão grandes trevas estão os seguidores dessas seitas, e quão incompreensivelmente a pessoa do Filho é. Não o conhecem. Supõem conhece-lo. Mas estão mesmo apegados ao delírio contínuo de crerem senhores de si, quando não passam de escravos do pecado, de um coração entregue à própria corrupção, distante do Senhor, e vivendo na ilusão, na mentira mais vergonhosa, da expectativa de uma autorredenção.

O pulo de fé capaz de jogá-los no mais profundo, escuro e insalubre abismo.

Nota: Dexei o texto sem uma “conclusão” com o propósito de fazê-la em outra oportunidade, já que temos aqui um esboço, e, diante do muito que ainda devo falar sobre o assunto, me pareceu precipitado “desferir” um ajuste definitivo.


Fonte: www.napec.org

Chapecoense. Chapecó. Chape. Quais as lições?

“Só o evangelho resolve o problema da morte”
John Piper

“Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo”.
Paulo, o apóstolo

Na última semana (última de novembro e primeira de dezembro de 2016), houve a tragédia do ano. Impactou o mundo e cada vida existencialmente. O avião que transportava jornalistas e o time da Chapecoense, que estava em ascendência com seu futebol, caiu e com isso várias vidas foram ceifadas.

Há pergunta existencial que há para todos nós neste momento a fim de buscarmos uma resposta apologética (pressuposicional; consistência sistemática; relvante-existencial; John Edward Carnell) partindo do pressuposto da fé cristã revelada nas Escrituras é: Quais lições tal tragédia nos ensina?

Bem, tentarei apontar algumas:

FRAGILIDADE DA VIDA

A vida é um sopro… A juventude não é eterna… Somos seres frágeis… Diante de Eclesiastes (um livro que tem ar de desespero, mostrando o vazio da vida), capítulo 11, versículos 9 – 11, podemos afirmar que nossa vida é curta para a vivermos irresponsavelmente e três princípios precisam ser observados diante disso. Primeiro, precisamos renunciar os almejos de nosso coração (verso 9ab), pois Deus pedirá contas (9c, 11 e 14), logo, fujamos dos desejos pecaminosos que o coração traz (10), porque a juventude é vaidade – do hebraico “hebhe,” tem o significado de “vapor” ou “sopro”, portanto, a juventude é como vapor e o sopro, vêm e passam igual à vida de vaidades (10c).

Segundo, precisamos de estimulo e firmeza (capítulo 12.11). O Aguilhão era um objeto formado de couro cru e composto de ruelas de aço, sua medida era de 1,80m, servia para fazer os animais andarem. Ele serve como analogia de estimulo para nossa vida cristã. Os pregos naquele tempo eram grandes para firmarem fortemente as coisas, e serviam para mantêm os animais amarrados. Ele serve como analogia de firmeza para nossa vida cristã. Juntando os dois podemos concluir que devemos nos estimular e nos firmar na palavra, na fé cristã revelada nela, cada vez mais.

Terceiro (capítulo 12.13) aprendamos a temer a Deus e guardar os mandamentos dEle (Sl 119.9 – 11), pois são a fonte da sabedoria. Portanto, em suma, devemos reconhecer que nossa vida é um passar rápido neste mundo, e passará como ele, mas a nossa vida de integridade diante Deus e sua palavra será permanecida eternamente e cada um terá a recompensa conforme a buscou. Sugiro ainda, para complementar este tópico, a leitura de Sl 90.9 e 10: Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; acabam-se os nossos anos como um conto ligeiro. A duração da nossa vida é de setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o melhor deles é canseira e enfado, pois passa rapidamente, e nós voamos.

DOUTRINA E NATUREZA DA MORTE

Existem duas doutrinas filosóficas que precisamos levar em consideração, a saber: 1) Fatalismo, a qual ensina que tudo acontece no universo é por forças externas onde a escolha e o esforço do ser-humano não faz diferença. 2) Determinismo, a qual ensina que todos os acontecimentos do universo obedecem às leis naturais de tipo causal.

O acidente com o avião e, consequentemente, as mortes que houve lá são consideradas um fatalismo, pois elas foram realizadas por uma força externa e o ser-humano nada pode fazer para mudar tal; como também um determinismo, pois obedecem às leis naturais (ciclo natural da vida), neste último podemos compreender melhor com tal ilustração:

Há muitos e muitos anos atrás, num dos vilarejos que sempre existiram nos arredores de Bagdá, um homem mandou seu escravo ir à feira livre.
Quase uma hora depois, o serviçal entra correndo pela porta da frente, em pânico, gritando:

– Meu senhor, meu senhor… por favor, empreste-me um camelo… eu preciso fugir.

– O quê está havendo, homem, perguntou-lhe o senhor.

– Eu estava na feira, como o senhor me mandou, e tive a infelicidade de dar de cara com a “dona” Morte, e ela olhou para mim com um olhar ameaçador. Por favor, meu senhor, empreste-me um camelo. Tenho parentes em Bagdá e lá ela não vai me encontrar. Sei onde me esconder… a cidade é grande.

O homem emprestou o camelo ao seu escravo, vestiu sua vestimenta e foi à feira. Encontrou-se com a “dona” Morte e foi logo lhe perguntando:
– “Dona” Morte, por quê a senhora olhou para o meu escravo com um olhar ameaçador?

– Em absoluto, respondeu a Morte, não olhei para o seu escravo com um olhar ameaçador. Olhei para ele com um olhar de espanto, pois tenho um encontro com ele daqui há pouco em Bagdá e não entendi como ele ainda está aqui.

Por conseguinte, a tragédia que gerou a morte deles faz que urja a necessidade de refletirmos que todos nós morreremos (fatalismo) e não sabemos quando tal foi determinada para acontecer (determinismo). Com isso em mente eu te pergunto: Qual é a sua esperança além-mundo? Qual é a sua consolação? Talvez um envolvimento bíblico-doutrinário do que é a morte nos leve a uma consolação e conforto sobre tal tema neste tempo de tragédia como para um apontamento futuro. Para isso responderemos três perguntas:

O que é morte? Ela é a consequência do pecado (Gn 2.16 e 17; Rm 6.23) e a perca da benção do homem de ter a vida eterna aqui na terra, como, também, a extinção da vida física, onde o corpo volta ao pó da terra (Gn 3.19; Ec 12.7)

Quais são as mortes existentes? 1) Espiritual, a separação do indivíduo de Deus (Rm 3.23). Nossa alma está com uma barreira entre ela e Deus, e a solução de tal está na história da paixão de Cristo e nossa vida voltada a isso. 2) Física, é a separação entre a alma, o espírito e o corpo (Gn 2.17; 3.19; Ec 12.7; Rm 5.12; 6.23); sobre essa que estamos refletindo. 3) Eterna, é a segunda morte, é a separação eterna do indivíduo com Deus onde será condenado e sofrerá para sempre (Mt 13.49 – 50; 25.41; Lc 16.19 – 31; 2 Ts 1.7 – 9; Ap 2.11; 20. 6 e 14; 21.8). Aqui a alma será para sempre distanciada e separada de Deus e sobre tal é que deve está nossa maior preocupação, se a herdaremos ou não. Para não herdá-la é preciso haver a entrega voluntária de nossas vidas a Cristo Jesus.

O que ocorre com os cristãos pós-morte? A alma não adormece, portanto, não está certa a doutrina do sono da alma (Ec 12.7; Lc 16.22 – 25; 23.43; At 7.59 e 60; Hb 12.23; Ap 6.9 – 11); não vai ao purgatório, portanto, não está certa tal doutrina (1 Co 3.15); não voltará viver em outro corpo, portanto, a doutrina da reencarnação cai por terra (Hb 9.27; falta de textos para basear essa doutrina). Para os salvos, a morte é a passagem para a vida eterna com Cristo (Lc 16.20 – 24; 23.46; 2 Co 5.1, 6 – 8 ; Fp 1.23), em estado de consciência.

Diante de toda essa exposição gosto de fazer um insight entre o que o filósofo Kant falou certa vez, “se vale a pena viver e se a morte faz parte da vida, então, morrer vale a pena”, com as palavras do apóstolo Paulo em 2Co 5.6 – 8 e Fl 1.21.23: Pelo que estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor (Porque andamos por fé e não por vista.). Mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor… Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor.

CONCLUSÃO

Lamentavelmente a nossa cultura ocidental nos ensina a fugir da reflexão sobre este tema e conceito, todavia, em contraponto o salmista nos instrui em oração ao Senhor: Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos coração sábio (Sl 90.12). Por fim, para complementar, deixo esta reflexão de três minutos de John Piper, veja no link a seguir:



Fonte: www.napec.org